Estamos a atravessar uma época complicada em que é preciso ficar-se em casa para bem da saúde pública. Mas isso não significa que os próximos quinze dias precisem de ser passados solitariamente. O Cabo Cinético recomenda-te aqui sete séries para ajudar a passar o tempo.

No entanto, deve ser desde já ressalvado que Breaking Bad e Game of Thrones não constam na lista. Afinal, se estás a ler este artigo provavelmente já as viste ou essas séries já te foram incessantemente recomendadas. Para além disso, vão apenas ser recomendadas séries que já terminaram, de modo a não ficarem presos a um cliffhanger que poderá nunca ser resolvida.

Sem mais demoras…

Mr. Robot (2015-2019)

4 temporadas – 45 episódios

Até recentemente, esta ainda me parecia ser uma série recente. Ao longo de 4 anos, Mr. Robot sempre recebeu alguma atenção, sem chegar realmente ao pico de reconhecimento na cultura popular da sua concorrência, como Game of Thrones ou Stranger Things.

Talvez esteja na altura de mudar isso.

Elliot Alderson é um hacker anti-social com ansiedade, depressão e transtorno de personalidade que se vê atraído a um grupo anarquista aptamente chamado fsociety. Toda a narrativa é-nos contada pelo próprio Elliot, tratando-nos como o seu «amigo imaginário». Esta forma de reinventar a narrativa em primeira pessoa faz com que nunca saibamos realmente o que esperar. Afinal, se a perceção de realidade de Elliot é duvidosa, todos os eventos da série também são duvidosos.

Inspirado por clássicos modernos como Clube de Combate (1999), American Psycho (2000) e Matrix (1999), Mr. Robot ecoa alguns dos seus temas e reinventa-se constantemente. Um episódio pode estar a avançar a narrativa do grupo anarquista, enquanto outro episódio pode estar a navegar dentro da mente de Elliot numa experiência surreal.

Histórias acerca de uma revolução contra a sociedade moderna não são algo único, mas Mr. Robot também enfrenta uma sombria realidade da qual muitas histórias deste tipo se esquecem.

Mad Men (2007-2015)

7 temporadas – 92 episódios

«Nostalgia. É delicada, mas potente

Que tal viajar no tempo para uma época mais simples? Os anos 60! …Pensando bem, não foi propriamente uma época simples. Mad Men foca-se no mundo da publicidade dos anos 60, à medida que toda a sociedade americana vai mudando drasticamente.

O seu centro é Don Draper, um homem enigmático que para todos os efeitos é o ideal do que um homem americano do início dos anos 60 gostaria de ser. Don tem um dom incansável para compreender o que as pessoas querem, tornando-o na pessoa perfeita para trabalhar em publicidade. Mas nenhuma pessoa é apenas aquilo que aparenta inicialmente ser.

Passando-se ao longo de toda uma década, Mad Men lida não só com as mudanças sociais que ocorreram, mas também com a natureza da memória e da identidade. Todos os personagens vão mudando, mas tal como na vida real, essa mudança nem sempre é para melhor. Velhos hábitos e vícios voltam a surgir.

Se quiserem uma série dramática para simplesmente refletir acerca da condição do ser humano, esta é a série perfeita. Numa sociedade capitalista em que nos estão constantemente a ser vendidos produtos, Mad Men destila como os nossos desejos são manipulados pela publicidade.

Chernobyl (2019)

1 temporada – 5 episódios

Baseada no acidente nuclear de Chernobyl, esta mini-série da HBO começa imediatamente após o desastre. Considerando a situação atual, é normal que ver isto possa-se tornar… desconfortável.

Dramatizando os eventos reais e as ações das pessoas que se uniram para lidar com as consequências do desastre, Chernobyl aproxima-se do género docu-drama. Esta não é uma história de heróis e vilões, mas sim de erro humano. Do que se é capaz de fazer para manter uma falsa sensação de segurança, mas também do que somos capazes de conseguir parar quando nos juntamos para resolver uma situação.

A reprodução da época é impecável e simplesmente é difícil imaginar um outro filme ou série a conseguir reproduzir estes eventos tão bem.

Esta é uma mini-série difícil mas necessária. Além disso, também vale sempre a pena relembrar a humanidade que pode existir em momentos de tragédia.

The Wire (2002-2008)

5 temporadas – 60 episódios

Se estiveres à procura de uma série criminal, apresento-te The Wire. Mas não estejas à espera do típico caso da semana. Em vez disso, esta é uma investigação de toda a cidade de Baltimore, analisando como as instituições que tomamos por garantido têm graves falhas que contribuem para a continuação de pobreza e criminalidade.

The Wire apresenta-nos protagonistas em ambos os lados: na polícia e no mundo do crime. Ninguém é completamente bom ou mau, são apenas pessoas. Todas elas capazes de cometer ações questionáveis.

David Simon, o criador da série, foi um jornalista de crime que também já tinha previamente criado outras séries deste género. Mas provavelmente este é o seu derradeiro Magnum Opus. Com cada temporada, introduziu uma instituição nova, de modo a mostrar como acaba por se ligar à polícia. Os temas de cada uma das suas cinco temporadas foram: O mercado da venda de droga, o porto de Baltimore, o governo da cidade, as escolas e a imprensa.

The Wire pode já ter acabado há mais de uma década, mas na forma como retrata a brutalidade policial e os problemas institucionais que levam à criminalidade, mantém-se surpreendentemente atual. Analisando a criminalidade de Baltimore, esta história dá-nos um retrato cru desprovido de artificialidade.

Watchmen (2019)

1 temporada – 9 episódios

Inspirado na banda desenhada com o mesmo nome da autoria de Alan Moore, Watchmen explora tensões raciais dentro de um universo habitado por super-heróis.

Passado 34 anos após a história original, surge em Tulsa, Oklahoma um grupo de supremacia branca. Para proteger as suas identidades e as suas famílias, os agentes da polícia desta região passam a usar máscaras.

Esta série poderia muito facilmente ter sido mais uma adaptação da BD original, tal como o filme de mesmo nome lançado em 2009 pela autoria de Zack Snyder. Em vez disso, tenta brincar dentro daquele mundo de super-heróis, imaginando como os problemas sociais que a nossa sociedade enfrenta neste momento existiriam num universos povoado por super-heróis.

Apesar disto, é uma história que funciona por si só, sem necessidade de conhecimento da Banda Desenhada original.

Watchmen foi feito para quem já gostou de super-heróis mas está farto de histórias previsíveis com a mesma estrutura. A série de Watchmen reforça o mesmo que a BD que a inspirou: Os super-heróis não precisam de ser apenas uma lupa das nossas fantasias, também podem ser uma lupa que amplia quais são afinal os problemas da nossa sociedade.

Os Sopranos (1999-2007)

6 temporadas – 86 episódios

Eis o clássico! A série que impulsionou esta era de ouro da televisão norte-americana. Um evento televisivo que merece ser visto e revisto.

A história Tony Soprano, um mafioso que após problemas em lidar com o stress, vê a necessidade de ter consultas com uma psiquiatra. Esta premissa podia muito facilmente ter dado origem a uma sitcom, e a Sopranos não faltam momentos de humor. Mas esta é uma história sobre pessoas imorais, cuja humanidade e carisma por vezes nos fazem querer ignorar o tipo de pessoas que são.

Pode-se comparar esta série a uma novela, pois as personagens são mesquinhas e dramáticas. Pequenas inseguranças são catalisadores de violência. Esta não é uma série de ação ou tiroteios, mas sim da mundanidade do mal. Um drama que disseca a fantasia criada acerca dos gangsters americanos. Sopranos é o derradeiro «grande romance americano».

Se quiserem saber onde a alta qualidade das séries televisivas americanas começou, basta verem Os Sopranos.

Star Trek (1966-1969)

3 temporadas – 79 episódios

Para terminar, dou-vos algo completamente diferente… e mais positivo. Uma série de aventuras no espaço para esquecer os problemas!

A série original é focada na tripulação da Starship Enterprise, nomeadamente no capitão idealista Kirk, no pragmático Spock e no irritadiço McCoy. Cada episódio é uma aventura num planeta diferente.

Numa altura em que a vasta maioria da ficção científica prevê-nos um futuro negativo e sem esperança, eis um futuro mais utópico no qual a humanidade se uniu nas suas diferenças para explorar o espaço. Tendo sido feita durante os anos 60, civilizações alienígenas são usadas como paralelismo à guerra fria e ao racismo. Mas Star Trek celebra a humanidade, dizendo-nos que se formos lógicos, aprendermos a lidar com as emoções de uma maneira saudável e nos unirmos, também a nossa sociedade poderá melhorar.

Esta já é uma série antiga, afinal, passou na televisão há meio século! Mas felizmente, os episódios estão todos acessíveis em alta qualidade na Netflix. Devido ao orçamento e idade, notam-se imensas falhas, mas pessoalmente sinto que isso dá à série um certo charme. Além disso, a visão utópica do criador Gene Roddenberry faz deste um universo incrivelmente fascinante.

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